terça-feira, 11 de outubro de 2011

- O poeta, - a música, Poesia.






Como expressar nas palavras,
os gestos que queria fazer,
as coisas que gostaria de ver,
os belos amanhecer e entardecer,
e o sombrio morrer...
faltam-se falas.
Mas ao expressar
o simples fato de escrever, falar,
nada existe para preocupar...
nada pode deturpar,
na essência pelo chorar,
no gesto por beijar,
comover e alavancar
o puro e simples "amar".

domingo, 9 de outubro de 2011

Alento



"Quando nada mais houver,
eu me erguerei cantando,

saudando a vida
com meu corpo de cavalo jovem.





E numa louca corrida

entregarei meu ser ao ser do Tempo

e a minha voz à doce voz do vento.
Despojado do que já não há
solto no vazio do que ainda não veio,
minha boca cantará
cantos de alívio pelo que se foi,
cantos de espera pelo que há de vir."

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Destino e o que é nosso...

Certa vez considerei que o destino faria o que tinha para acontecer. Não sabia que isto faria tanto mal quanto parecia fazer o bem. Isto era para consciência o que a batismo é para o pecado, purificação, bem como o medo o é para as ações, paralisante. Pensei que acreditar no destino era uma questão de que em alguns casos a inevitabilidade é inversamente proporcional a relevância das condutas. Mas isso era do mesmo jeito purificador da consciência e estagnante das ações. Irremediavelmente o tempo, ao nosso arrepio, furta-nos a oportunidade manifesta no estender da mão do destino. Este vez ou outra traz o que é nosso para nós, no momento em que nos falta discernimento. O tempo já nos é, advertido por Quintana, “o mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família.” Não se esqueça que tempo e destino são siameses. Enquanto um trabalha à favor, parece que o outro trabalha contra. Por isso e tudo mais não deixe o que lhe pertence passar por debaixo do nariz. O destino brinca com nós colocando à nossa frente coisas que não nos pertence, fazendo-nos acreditar que nossas são. E assim vamos vivendo acreditando que ele trouxe-nos algo nosso quando na verdade são dos outros e o que nos pertence, acreditam os outros lhes pertencer.

sábado, 1 de outubro de 2011

Believe.


"O que tem de ser, tem muita força. Ninguém precisa se assustar com a distância, os afastamentos que acontecem. Tudo volta! E voltam mais bonitas, mais maduras, voltam quando tem de voltar, voltam quando é pra ser. Acontece que entre o ainda-não-é-hora e nossa-hora-chegou, muita gente se perde.
Não se perca, viu?"

- Perder-se é realmente a parte mais comum. Fica-se a espera, aquela busca, mas o tempo é acelerado. Os nossos sentimentos vão sendo atropelados por dúvidas. E como acreditar se é possível? - Acredite. Podemos ter diversas interpretações do que é para ser, ou não. Mesmo que não seja eterno, vale a pena ter um momento bom. Sentir por um tempo verdade. Não se desespere. Se é amor, se não é: o tempo vai te dizer. Basta o querer. O acreditar. E com isso, coisas novas vão aparecendo e você pode ver se é realmente o que queria. Uma dica: não confunda carência com sentimento. Não se engane. Não engane. 

“ […] Sometimes it lasts in love

But sometime it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead…”

Não pense ser o único solitário (a) do mundo. Tem tanta coisa e pessoas para serem vistas. Pense, a sua hora não chegou porque existe algo melhor a sua espera. Believe. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Conversa de teclas batidas

Uma conversa que se desenvolveu a partir de uma simples troca de caracteres no Twitter...


JR. - As coisas vão acontecendo...
L. – Ou não.
JR. – Vão... a vida é dinâmica! às vezes inertes são os corações...
L. - Talvez? Estou tendo quase certeza.
JR. - Ela se move... talvez você que queira ficar parada!
L. - Nem é. Pode ser mais um caso de não ser a hora.

A vida no seu curso natural, de forma automática, se move! Muitas vezes pensamos que ela está parada, mas na realidade, nós que nos mantemos congelados. Tudo roda à nossa volta, fatos acontecem, mas face nossa passividade, pensamos que tudo está quieto. Esperamos que nossa hora chegue, mas acabamos por esquecer que somos parte de sua engrenagem.

L. - Isso me leva a indagar o por quê de gastar todas as fichas por algo que não tem certeza que o deseja?
JR. - Porquê os desafios são o combustível que faz a vida se mover.
JR. - De nada adiantaria vivermos num mundo de eternas certezas, de facilidade, se o q torna tudo gostoso é a dúvida, a conquista.

A vida é um jogo? O maior dos desafios? A vida têm pitadas de vários temperos. Estamos cercados de eternas dúvidas. Alguns podem vê-las como mera forma de sofrimento, mas não são. As dúvidas nos fazem pensar, aceitar desafios, nos movem, nos colocam no ritmo da engrenagem da vida. O que torna tudo prazeroso é termos a única certeza de que somente nossas ações ou omissões são a causa de nossa felicidade. Lançamos-nos ao maior desafio de todos que é a conquista de um amor verdadeiro, sem a certeza da obtenção de sucesso e da reciprocidade, mas com a esperança da vitória e consequentemente a felicidade.

L. - Mas será incerteza e conquista real, quando o indivíduo possui o sentimento, e não assume, por achar que pode viver diferente?
JR. - A vida nos oferta opções. Alguns optam por amar cegamente, outros, por sofrer de olhos abertos.

Como tudo que nos é ofertado pela vida, ficar inerte, também é uma opção. Talvez pelo fato de não ter vivido um amor puro ou uma paixão aconchegante, as pessoas têm medo de amar. Como que por um instinto natural caem no grave erro de generalizar, esquecendo-se que vivem num mundo de diferenças, peculiaridades, heterogeneidade de personalidades. Não enxergam a chance de ser feliz, que se encontra à sua frente, tudo por conta de erros ou angustias passadas, modeladas pelo tempo, que acabam cessando qualquer possibilidade de felicidades presentes e futuras.
L. - E eu nessa de ser clara demais, objetiva, sinto que desaprendi os vacilos do amor. Meio que sequei.
JR. - Ele não assume o sentimento por estar envolto nessas incertezas, de tal forma, q pensa ser a conquista algo inalcansável
L. - E porque pensar dessa forma, uma vez que me permitir ser alcançada. Sabe-se, o que sei agora, decidido, é que não quero mais.
JR. - E você foi clara na construção dessa ponte? Normalmente as mulheres são incógnitas, não tão diretas e objetivas
L. - Fui clara. Claríssima.

Pelo medo de se deixar levar pelos sentimentos, algumas pessoas preferem se lançar ao fundo de um poço, fazendo dali seu mundo, seu esconderijo, onde não podem ser alcançadas. Quando alguém joga uma corda ou tenta estender uma mão, criar um vínculo, traze-la para si, ele a ignora, prefere se manter no escuro, longe de tudo, pensa ser esta a melhor opção, mas não o é...

L. - O meu problema é. Urgência. Sou urgente. Quero o meu tempo apenas. Isso atrapalha. Tanto que 'des' gosto com imensa facilidade.
JR. – Bem vinda ao clube!
 JR. - Eu acabo sofrendo muitas vezes por ser objetivo, direto e além do q tb sofro por ser adepto do Imediato!
 L. - Para que viver etapas, se o objetivo não é comum? Falta-se sinceridade. Por isso, sofre-se diariamente por amores inexistentes.
 JR. - Pensando bem.. talvez esse modo imediato não seja tão bom, como não o é a demora. Achar este meio termo q é difícil..
 L. - Vivemos sonhando com o senso comum, mas pense, esse senso comum seria tedioso e não nos daria motivos para escrever.
JR. - Fantástico! Sonhamos com amores perfeitos, mas se todos o fossem, Romeu e Julieta seriam mais caso banal e Shakespeare mais um bêbado!



Co-autoria: Jão Roberto

Imagem: Luíç Caixote

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Aos meus amigos.

É bem complicado e demanda tempo falar sobre cada amigo, presente ou ausente. 

Amizades diferentes é claro. Pessoas diferentes. 
Delicioso é lembrar de momentos que foram parte da minha vida, e que cada olhar demonstrou a sua realidade. 

Amizades de olhar. Cada amigo, seja novo ou velho, com a sua essência visual que demonstra tantos sentimentos. 
Dia do amigo, como todos as outras datas comemorativas, é o destaque para que não deixemos passar despercebido as importantes pessoas que temos ao nosso lado. Dizem: datas comemorativas são apenas para fins comerciais. É fato que existe um dedinho capitalista no calendário. Mas vamos lá. Faça uma análise em sua consciência e veja se é capaz de ser amigo de todos os seus amigos a todo tempo? Se ao menos pensa em todos no mesmo dia? É difícil. Nesse mundo em que vivemos, dificilmente, conseguimos nos dedicar a todos que amamos, tanto é que as vezes nem a nós mesmos damos atenção. 

Datas comemorativas no calendário são lembretes para que nós observemos que os dias estão passando e que não somos capazes de nos lembrar sempre. 


Queria eu poder ligar para todos os meus amigos, mandar cartas, e-mails, sms, poder saber o que se passa na vida de cada um. Ajudar. Abraçar. 
Mas não dá. E a vida vai constantemente mudando e você não se dá conta disso. É uma constante modificação que não está ao nosso alcance e ao parar para "ver" nos damos conta do quanto estamos distantes. A amizade envolve muitos sentimentos. São laços difíceis de definir. Não há fotografias que registrem todos os momentos. O nosso coração é a nossa memória. Amigos de infância, adolescência, faculdade, trabalho. Amigos de datas. Amigos de estações do ano. Cada amigo possui o seu lugar, sendo inoportuno colocá-los no pódio. Um exemplo é o amigo que já não é tão próximo. Não é que este deixou de ser seu amigo, já que não convive com o mesmo, e nem o vê. Ele apenas não te acompanhou a vida toda. Cada um tem um caminho a seguir. Esse amigo continua em seu coração, pois foi amigo em uma fase de sua vida. Amizades de um dia, amizades eternas. E o que seria de nós sem nossos queridos amigos. Amigos loucos, amigos sensatos, amigos brigões, amigos difíceis, amigos melosos, amigos bêbados, amigos sóbrios, amigos esportistas, amigos comilões, amigos sortudos, amigos desastrados, amigos sábios, amigos psicóticos, amigos irresponsáveis, amigos bobos, amigos inteligentes, amigos, amigos... 


Não sou capaz de sintetizar palavras poeticamente para dizer o que sinto sobre os meus amigos, que digo, ou melhor, não digo nomes, até porque, cada coração sabe a sua amizade. De forma genérica, contudo, sincera, agradeço aos meus amigos por fazerem parte da minha vida e terem a sua importância registrada. Amo vocês, de forma diferente, porém sem medida. 

E para abrilhantar o meu sentimento, deixo sábias palavras, deixo o Soneto do Amigo:

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com os olhos que contem o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual à mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer

E o espelho de minha alma multiplica...


Vinicius de Moraes.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

-

A medida dos acontecimentos, perguntamos a Deus o por que das suas escolhas, mas não obtemos respostas.
Percebo que as suas escolhas estão seguindo um ponto em comum. Deus está se rodeando de pessoas que era o centro de alegria e força das famílias. Aqueles que todos possuíam laços de amizade e não havia quem fosse o contrário. Entender é impossível.
Procuramos então, algo que amenize a dor.



“Nesta longa estrada da vida, vou correndo e não posso parar.
Na esperança de ser campeão, alcançando o primeiro lugar,
Na esperança de ser campeão, alcançando o primeiro lugar...”


A estrada da vida está aí, temos nossas dificuldades, nossas alegrias. Cada dia, um novo dia.
Vindo com a incerteza do amanhã.
O espaço não será preenchido. Para sempre teremos esse vazio em nosso coração. Contudo, as lembranças boas superam. E quanta alegria tem em nossos corações, por ter contigo convivido. É difícil compreender que cada um tem a sua hora. É difícil compreender tanta coisa. A saudade grita, e a presença faz-se presente, porque ainda não acreditamos.


“Mas o tempo cercou minha estrada e o cansaço me dominou
minhas vistas se escureceram e o final da corrida chegou...”


Ninguém espera a perda. Ninguém procura tal dor. E quando acontece é difícil explicar. São dores diferentes. As lembranças também são, mas são compartilhadas. Lembranças boas. Do sorriso, das palavras de sabedoria. Da saúde e juventude invejável. E não parava. Luta, força e humildade. E amor a família. Vida nova para a família.

“Este é o exemplo da vida, para quem não quer compreender:
Nós devemos ser o que somos, ter aquilo que bem merecer.
Nós devemos ser o que somos, ter aquilo que bem merecer...”


Exemplo que nos ensina. Amar mais. Digo amar porque percebo que os dias estão nos levando a ser mais frios. Não estamos sendo honestos com os nossos corações. E dizer “eu te amo” tem se tornado difícil. Dizemos bobeiras, e frases inúteis, mas para dizer eu te amo, nos travamos. E a família? Fato é que aos poucos vai perdendo a sua importância. E quem tinha fé, acreditava que tudo era possível, vai nos deixando.
Não somos agradecidos pelo que temos, e Deus vai levando aqueles que faziam o possível para cumprir a sua missão. Foi campeão, alcançou o que desejava, nunca passou por cima de ninguém, esperou a sua vez, alcançou o primeiro lugar. Era feliz.


“Mas o tempo cercou minha estrada e o cansaço me dominou
minhas vistas se escureceram e o final desta vida chegou.”


Não vamos entender. A saudade não vai passar. Um momento muito difícil. Mas sabe, a sua alegria inundou nossos corações e disso não vamos esquecer. Aqueles que não o conheceu, saibam, é possível estar em paz, ter felicidade, sem se entregar as maiores tristezas do mundo. É possível acreditar que se pode crescer, sem se vender. Os professores da vida estão por todo lugar, só que passam despercebidos. O que quero dizer é que, saibamos dar valor ao próximo em vida. Não é preciso ter vergonha para amar de verdade. Não é preciso ter vergonha para demonstrar seus sentimentos. Temos que aprender a dar valor em vida. Dar valor a vida. Tendo fé ou não, no fundo sabemos, que cada um tem sua missão. Tente cumpri-la, não abandone seus sonhos.